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 17/04/2005 a 23/04/2005


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Dia 1 - Lima

 


1 dólar = 3,3 soles

Cheguei em Lima as 14h30m, um atraso de quase duas horas no vôo da Varig. O panorama visto do avião era desolador, a cidade parece um amontoado de casas de cor ocre, o mar em frente à cidade possuía uma mancha avermelhada e uma fraca neblina pairava sobre a cidade. No chão, a impressão mudou muito pouco. Depois de retirar dinheiro do caixa automático e barganhar um táxi (de 35 para 25 soles), passei pela Avenida principal de Callao, onde fica o Aeroporto, um local bastante feio. As coisas só melhoraram um pouco porque Segundo Romero, o falante motorista, resolveu pegar a Avenida Litorânea no caminho para Miraflores, um dos melhores bairros de Lima. Quase não chove na cidade e a neblina é presença constante, principalmente no inverno, quando é chamada de garúa. Andamos por Miraflores e decidi ficar no Home Peru, uma hospedaje que havia visto na Internet. Consegui um quarto single por apenas 33 soles com café da manhã. Deixei as malas e fui passear pelo bairro, indo até o Larco Mar, um shopping bem interessante que fica, como o nome diz, em frente ao mar, no final da Avenida José Larco.

 

 

No passeio deu para perceber como o trânsito daqui é caótico. Para começar, ninguém respeita os poucos sinais de trânsito e quem buzina mais alto ganha o direito de avançar nos cruzamentos. Fui também no Parque Kennedy, onde se encontra a Municipalidad de Miraflores e depois jantei um spaghetti carbonara em um restaurante local. Ainda tomei um sorvete com bolo de nozes na loja Ripley e voltei de ônibus para o hotel. Os coletivos aqui são pequenos e o cobrador normalmente fica na porta gritando constantemente o trajeto do ônibus, além do que não há paradas definidas. Uma experiência interessante.



Escrito por João Batista às 14h58
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Dia 2 - Ica


Acordei cedo e decidi ir até Pisco. Tomei um táxi até a garagem da empresa Soyuz (em Lima, assim como nas principais cidades peruanas, não há uma rodoviária, sendo necessário ir até as respectivas garagens das empresas), mas o ônibus que iria para Pisco era bem simples, portanto preferi pegar o que seguia até Ica (22 soles)  e que saía em 10 minutos. A viagem foi uma tortura, pois o ônibus parava a cada 100 metros, e só para sairmos de Lima levamos mais de uma hora. Só não foi pior porque havia vídeo e pudemos assistir a “O Náufrago” e “Maria cheia de graça”, cuja atriz principal concorreu ao Oscar deste ano. Fomos seguindo a Rodovia Panamericana em direção sul e passamos por algumas praias, até bonitas, mas sem muita infra-estrutura. Paramos em Cañete, Chincha (local onde há uma grande população de cor negra), o cruzamento para Pisco e finalmente Ica.

 

Ica é uma cidade de 200.000 habitantes, capital da província de mesmo nome, mas parece que tem quase um milhão, tamanha é a confusão em suas ruas. A quantidade de carros é grande e soma-se a isto o número exagerado de moto-táxis, resultando em um tráfego mil vezes pior do que o de Lima. Tomei um táxi até Huacachina, um oásis em pleno deserto, circundado de dunas propícias para a prática de sandboarding, mas não fiquei muito entusiasmado.

 

Voltei para a cidade e parei no Museu Regional de Ica (10 soles), pequeno, mas muito interessante. Ali tive meu primeiro contato com a história dos povos que habitaram esta região. Particularmente interessantes foram as múmias incas e as práticas de trepanação e alongamento cranial.



Escrito por João Batista às 14h57
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Dia 2 - Ica (cont.)


TREPANAÇÃO

Nos tempos pré-históricos, nossos ancestrais acreditavam que as doenças eram causadas por deuses que ficavam zangados ou pelos espíritos maus. Para curar os doentes, era preciso acalmar os deuses e expulsar os espíritos diabólicos.Os “médicos" das tribos eram os sacerdotes, que usavam a magia para curar os males da tribo.

O primeiro tratamento cirúrgico de que se tem notícia é uma operação chamada trepanação. Nessa operação era usado um instrumento de pedra para perfurar a cabeça do paciente. Os cientistas descobriram fósseis desses crânios que datam de até 10.000 anos.

Acredita-se que os povos primitivos faziam essas operações para libertar os espíritos, que seriam os responsáveis por enxaquecas, doenças mentais e epilepsia. Nos crânios encontrados, os buraquinhos têm sinais de cicatrização e recuperação do osso, o que quer dizer que nossos valentes antepassados sobreviviam às cirurgias.


  • Os Incas não conheciam a escrita, mas tinham um excelente sistema de contagem através de nós em barbantes.
  • Apesar de dominarem a confecção de elaboradas peças de ouro e cobre, não desenvolveram nenhuma ferramenta de ferro.
  • Mesmo não conhecendo a roda construíram uma enorme rede de estradas.
  • Era considerada esteticamente bela, além de denotar classe social elevada, a mulher que tivesse a testa inclinada para trás. Para conseguir tal "deformação" a cabeça da criança, ao nascer, era coberta com talas e panos de maneira a comprimir seu crânio para dentro. Essa bandagem só era retirada na adolescência da menina.


 Voltei para a cidade de moto-táxi (apenas 1 sol 50) e peguei um ônibus bem surrado para Pisco, a apenas uma hora de distância. Pisco consegue ser tão feia e mal cuidada quanto Ica. Consegui um quarto no Hostal San Isidro por apenas 30 soles , com direito a TV, banheiro e piscina. Aproveitei também para reservar os passeios para amanhã – Islas Ballestas (manhã) e Reserva Nacional Paracas (tarde) por apenas 35 soles o pacote completo. Comi uma pizza antes de dormir e quase me perco no caminho para o Hostal, no meio de um bando de crianças jogando futebol.



Escrito por João Batista às 14h57
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Dia 3 - Pisco/Paracas

O ônibus passou pontualmente às 7hs para o primeiro tour. Depois de percorrermos a feia cidade de Pisco, seguimos para a Baia de Paracas. Tomamos uma lancha com capacidade para 16 passageiros e rumamos para a Península de Paracas aonde vimos o candelabro, mais uma das figuras associadas à civilização Nazca. O desenho tem cerca de 180m de altura por 46m de largura e visto do mar é mesmo impressionante.

 

 

Meia hora depois estávamos nas Islas Ballestas, um santuário de vida marinha e aves, criado graças à corrente Peruana ou de Humboldt, uma corrente fria carregada de nutrientes que afloram justamente nesta parte do litoral peruano. Nas ilhas vimos várias colônias de leões marinhos, alguns poucos pingüins de Humboldt, que estão ameaçados de extinção e um sem número de espécies de aves que depositam seus excrementos por toda a ilha. Estes são ricos em nitrogênio e potássio e servem como fertilizantes, sendo ocasionalmente recolhidos e exportados comercialmente.

 

        

        

O passeio em torno da ilha demora cerca de uma hora e, após o retorno a terra firme, segui para a segunda excursão, desta vez para a Reserva Natural de Paracas. Primeira parada no museu JCTello que contem algumas  obras dos povos Paracas e Nazca.

 


Em 1925, o arqueólogo peruano JC Tello descobriu os locais onde o povo Paracas enterrava seus habitantes. A civilização Paracas se desenvolveu nesta área entre os anos de 1300 AC e 100 DC, sendo divididos em dois períodos – Paracas Cavernas e Paracas Necrópolis, este último se iniciando em 300 AC. Este povo se especializou na arte de tecer e eram considerados os melhores da era Pré Colombiana. Em Necrópolis, foram achadas cerca de 400 múmias, provavelmente nobres ou religiosos, que estavam envoltos em tecidos finamente manufaturados.


Fomos também à Catedral, uma formação rochosa que aparentemente se assemelha a uma catedral, embora tenha encontrado dificuldade para ver tal semelhança.

 

 

Última parada na Lagunillas, uma colônia de pescadores locais que fica dentro da Reserva. Além da colônia, um par de restaurantes em frente a uma pequena enseada que convidava a um banho refrescante. Desisti quando fui alertado pelos locais de que havia uma quantidade grande de ouriços e não queria estragar minhas férias no terceiro dia. De qualquer maneira consegui tirar belas fotos e almocei um frango à milanesa antes de voltarmos para Pisco.

 

 

Tomei o ônibus Ormeño para Lima, fui até o hotel tomar um banho e fazer a nova mala e parti para Huaraz no ônibus Cruz del Sur das 22h.



Escrito por João Batista às 14h55
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Dia 4 - Huaraz - Lagunas Llanganuco

Cheguei a Huaraz às 6h30 após uma viagem estafante. Fui para o Hotel Los Portales, a primeira opção que vi nas cercanias. Paguei 50 soles para o quarto com banheiro e TV, preço razoável para um Hotel 3 estrelas. Dormi um pouco e fui para a Andeno Viaggio onde comprei meus tours locais: Lagunas Llanganuco hoje e Nevado Pastoruri amanhã. Tomei um café americano (com ovos mexidos) e embarquei para o início da viagem. As operadoras de turismo trabalham em pool por aqui, mas é tudo muito desorganizado e cada uma cobra um preço diferente. A minha aparentemente era uma das melhores, mas quando fui colocado numa van, enquanto outros ficavam num ônibus mais espaçoso, fui reclamar direitos iguais. Como não havia mais lugares no ônibus, me devolveram 10 soles.

 

O tour foi bem extenso, mas muito interessante. O primeiro povoado visitado foi Carhuaz e chegamos ao final da missa de Domingo, com todas as senhoras vestidas a caráter (se usam o chapéu com fita azul são casadas; se a fita é rosa, estão solteiras). A cidade é famosa pelo sorvete e não pude deixar de provar algumas frutas locais como lúcuma e chirimoya, ambas deliciosas.

 


Lúcuma é uma fruta típica dos Andes peruanos, muito popular entre os nativos, sendo o sabor favorito de sorvete, sendo mais consumido que os sabores tradicionais de morango, baunilha ou chocolate.


Seguimos para Campo Santo, um memorial da antiga cidade de Yungay destruída pelo terremoto de 31 de maio de 1970 (início da Copa do Mundo do México). Além do sismo, que matou parte da população, houve uma avalanche de rochas e gelo desprendidos do Huascarán, montanha mais alta do Peru, que fica a poucos quilômetros. A avalanche soterrou a parte da cidade que não foi atingida pelo terremoto. Os únicos que se salvaram foram 92 pessoas que correram para a parte mais alta do cemitério local, que possui uma estátua de Cristo em seu topo, e que testemunharam a destruição do que restava.

 

 

Depois tomamos a estrada sinuosa que nos leva dos 2250 msnm do novo sítio de Yungay para 3800 msnm das Lagunas Llanganuco, que ficam exatamente entre os montes Huascarán e Huandoy, um cenário belíssimo, ajudado pelo lindo dia que fazia. As lagunas na verdade são duas e Llanganuco é o nome “fantasia” - seus nomes verdadeiros são Chinancocha e Orconcocha (respectivamente Lagoas Fêmea e Macho). Só vimos a primeira delas, já que o acesso a outra era mais remoto.

 

Voltamos ao final da tarde para o almoço em Caraz, o povoado mais ao norte desta excursão, onde pudemos provar o famoso Manjar Blanco que nada mais é que o nosso igualmente famoso doce de leite. Aqui ele é misturado a frutos locais como a onipresente lúcuma.

 

Chegamos de volta a Huaraz às 20h e só deu tempo de jantar um delicioso spaghetti carbonara no Café Landauro, junto à inexpressiva Plaza de Armas da cidade. Foram os 10 soles mais bem empregados até agora.Comprei minha passagem para Lima (ônibus Movil Tours, semicama, 45 soles) e fui para o hotel.



Escrito por João Batista às 14h54
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Dia 5 - Huaraz - Nevado Pastoruri

Acordei de um ótimo sono e parti para a Avenida Luzuriaga, artéria central da cidade, para um café da manhã. Desta vez comi um sanduíche quente de queijo e presunto e meio litro de suco de mamão. Terminei bem a tempo de entrar no ônibus para a excursão. Mais uma vez fui testemunha da imensa falta de organização. Saíamos e voltávamos ao local de partida, o ônibus cada vez mais cheio, até finalmente se darem conta de que precisávamos de um carro maior. Conseguimos sair pouco depois das 10h rumo a Tincopampa, parada para o mate de coca. Tenho minhas dúvidas sobre os efeitos curativos do mate, mas não custava tentar.

 


O soroche, ou mal da altitude é conseqüência da baixa pressão atmosférica em grandes altitudes, que ocasiona dores de cabeça, náuseas e uma diminuição da pressão arterial. É recomendado que o viajante evite fazer muito esforço nos primeiros dias e também não consuma álcool ou comidas pesadas. Dizem que o mate de coca ajuda a diminuir os efeitos deste mal. Algumas pessoas preferem mascar as folhas de coca, o que provoca leve adormecimento da língua e lábios.


Seguimos outra vez para o Parque Nacional Huascarán, desta vez pela entrada Sul. Vimos algumas lagoas, com destaque para a bela Lagoa das 7 cores, um afloramento de água de vários tons de verde e azul, devido à presença de minerais e de algas em seu interior.

 

 

Um pouco acima desta lagoa se encontrava um exemplar relativamente grande da Puya Raimondi (também conhecida localmente como titanca - uma árvore da família do abacaxi) , que é a bromeliácea mais alta, chegando a 12 metros de altura e que floresce após cem anos e morre após espalhar suas sementes. A esta altura o ar começava a faltar e estávamos apenas a 4200 msnm.

 

Finalmente chegamos ao ponto onde se começa a subir para o Nevado Pastoruri, a 5000 msnm. Os cavalos eram poucos para transportar os mais necessitados de oxigênio e, de qualquer maneira, só iriam até a metade mais fácil do caminho, portanto tivemos que andar até encontrarmos o gelo. Neste meio tempo, tivemos uma amostra grátis dos ciclos do tempo: primeiro choveu, depois caiu granizo, nevou e finalmente o sol apareceu. Devo confessar que foi uma das caminhadas mais árduas que já fiz. Para se ter uma idéia, ascendemos cerca de 400 metros até o início do Nevado, numa extensão de 2km, percorridos em uma hora e meia. Cada centímetro de subida era um suplício, mas subitamente os efeitos da altitude pararam assim que cheguei ao Nevado, acho que foi a adrenalina. A vitória da persistência sobre o esforço. O sol abriu justamente neste momento, o que favoreceu as fotos.

 

     

 

Bonecos de neve foram feitos, brincou-se de deslizar na neve e várias guerras de neve foram travadas antes de descermos, o que foi extremamente mais fácil do que a subida. O soroche atingiu algumas pessoas mais do que outras, mas, além da falta de ar durante a subida, só senti um pouco de dor de cabeça, que foi piorando a medida que chegávamos em Huaraz, as 18h30. Fui jantar e depois descansei um pouco antes de tomar o ônibus de volta a Lima.



Escrito por João Batista às 14h53
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Dia 6 - Lima

A viagem no ônibus da Movil Tours foi bem mais confortável e o assento ficava quase na horizontal, o que permitiu que eu dormisse bem. Chegamos as 6h30 da manhã a Lima e tomei um táxi após barganhar um pouco, indo direto para o Hotel. Chegando lá ainda cochilei, tomei um banho e saí para um passeio. Estava em dúvida se ia até o Museu de Arte Italiana, mas acabei decidindo visitar o Museu de La Nación. O museu fica num prédio imponente e contém obras impressionantes de todas as culturas que já habitaram este país. Vi têxteis dos povos Paracas, cerâmicas Nazca e artefatos Wari, até chegar aos Incas. Muito interessante era o túmulo de Sipán, mostrando como era o ritual de sepultamento naquela época. Uma verdadeira aula de história, mostrando como o povo de hoje foi moldado pelos antepassados.

 

 

Voltei para o hotel e segui para o Larco Mar, onde aproveitei para assistir “Sideways”. O filme é muito bom mas fiquei com uma vontade danada de tomar um vinho depois.



Escrito por João Batista às 14h51
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Dia 6 - Lima (cont.)


Quando as pessoas pensam em impérios antigos nos Andes, normalmente estão se referindo aos Incas. Poucos sabem que, na verdade, os Incas são apenas os mais recentes (ou o império final) na América do Sul. Antes dos Incas, tivemos o Império Wari ou Huari que durou cerca de 400 anos – de 700 DC a 1000 DC, quatro vezes mais que a duração do império inca. Os Wari foram os primeiros a utilizar a força militar para conquistar outras terras. Depois da conquista, os Wari normalmente impunham sua própria cultura, impedindo que qualquer manifestação da cultura dos invadidos sobrevivesse. Se espalharam por todo o Peru, e tinham sua capital onde agora se encontra a cidade de Ayacucho. As cidades Wari eram dispostas em malhas retangulares, que em muito se assemelham aos nossos quarteirões atuais. Existe evidência de que muito da cultura Wari foi apropriado pelos Incas. O povo Wari construiu um sistema rodoviário que era a base para o transporte dos Incas. Também desenvolveram construções que resistiam a terremotos.

O império Wari começou a declinar por volta do ano 1000 DC e existe grande mistério sobre o porquê este grande Império desmoronou. 

Antes dos Wari, existiu a civilização Nazca. Em geral, a cultura Nazca consiste de 3 estágios : Antigo, Médio e Recente e também, o Nazca clássico (de 250 DC a 750 DC). Uma das principais características deste povo eram as cerâmicas policrômicas que atraíam a atenção devido ao refinamento e o simbolismo de seus motivos. A cultura da cerâmica se espalhou pelos vales de Chincha, Pisco, Ica, Nazca e Acari. No período antigo, as cerâmicas não possuíam muitas cores, mas posteriormente eram pintadas com até 8 cores diferentes. As mais populares eram vermelho, preto, branco, marrom, cinza e violeta. Pássaros, frutas e peixes eram retratados nas cerâmicas, juntamente com seres mitológicos ou religiosos da cultura Nazca.

É desnecessário dizer que as linhas de Nazca são o principal legado deste povo. Estes grandes geóglifos, desenhos na superfície da Terra, só podem ser reconhecidos através de um sobrevôo. Existem várias figuras como peixes, pássaros, macacos, uma baleia, aranhas e plantas. Estas linhas perfazem cerca de 1300 km no solo e algumas chegam a ter 20 km de extensão. Por estarem em uma superfície plana e em local de clima extremamente seco, quase todas permaneceram intactas. Estas feições aparecem também em outros locais da costa como os vales de Sechin e Sihuas e até no norte do Chile.

O propósito dos desenhos é desconhecido, mas parece ter relação à suas crenças e economia. De acordo com o antropologista Johan Reinhard, o povo Nazca acreditava que os deuses da montanha protegiam os humanos e controlavam o tempo. Estes deuses também afetavam as fontes de águas e a fertilidade das terras, estando conectados com lagos, rios e oceanos. Cada figura pode ter um significado diferente para o povo Nazca, a depender de sua classe social. As figuras espirais mostram conchas e o oceano e a figuras em ziguezague ilustram os raios e rios. As figuras de pássaros representam a fé nos deuses das montanhas.Outros pássaros marinhos estão associados ao oceano. Os macacos e lagartos representam a esperança de conseguir água. Aranhas e plantas estão associados com a chuva e baleias ao sucesso da pesca.



Escrito por João Batista às 14h51
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Dia 7 - Lima

Acordei cedo e, depois do café, fui até o Centro de Lima em um micro ônibus que segue pela Avenida Arequipa. O trajeto foi tranqüilo e passamos pelos bairros de San Isidro, onde se concentram os bancos, e Lince antes de chegarmos ao Centro. Andei até a bonita Plaza Mayor (antiga Plaza de Armas)  que estava relativamente cheia e bem policiada. Num dos cantos da praça havia uma estátua de Francisco Pizarro que foi retirada 3 anos atrás, o que pareceu lógico, afinal eram um dos poucos povos que mantinham uma estátua em homenagem a um invasor!


Francisco Pizarro


     Francisco Pizarro (1478-1541) foi um conquistador espanhol que viajou através da costa americana do Pacífico, ao longo de onde se situa o Peru. Ele descobriu o Império Inca e o conquistou brutal e rapidamente  se apoderando de imensas quantidades de ouro, prata e tesouros.

    Pizarro desembarcou na Baía de San Mateo em 1532. Depois de percorrer desertos e montanhas nevadas, Pizarro e seus homens (que incluíam Hernando de Soto) chegaram a Cajamarca em 1533, onde catpuraram  Atahuallpa, o décimo terceiro e último imperador Inca. Atahuallpa tinha recém ganho uma Guerra civil contra seu meio-irmão Huáscar que acabou sendo executado, juntamente com sua família. Atahuallpa convidou  Pizarro para uma celebração, pensando que os espanhóis não eram muito ameaçadores. Pizarro emboscou Atahuallpa e matou milhares de seus homens. Atahuallpa ofereceu um enorme soma para sua li própria libertação, mas Pizarro levou o tesouro e estrangulou Atahuallpa em 29 de agosto de 1533. Este era o fim do Império Inca.Depois de saquear e destruir a capital Inca em Cusco, Pizarro fundou Lima (que ele chamava de Cidade dos Reis), Pizarro foi ali assassinado em 1541, por seguidores de Pedro de Almagro que queria conquistar Lima por conta de seus tesouros.


Fui até a Igreja de San Francisco e fiz um tour pelo seu interior, incluindo uma incursão as catacumbas - muito interessantes. Andei pela Jirón de la Unión, uma rua de pedestres que termina na Plaza San Martín onde, aí sim, existe uma estátua em sua homenagem.

 

 

Decidi almoçar no tradicional Hotel Bolívar, onde foi inventado o Pisco Sour, e pedi o Menu Turístico, que oferecia justamente este drink de cortesia. Estava muito bom, melhor do que esperava. Além disto, comi de entrada batatas com molho de ocopa (um creme muito gostoso e levemente apimentado), lomo saltado (carne cortada em tiras com tomate, cebola e batatas fritas) e pudim de sobremesa. Tudo pela módica quantia de 10 soles.



Escrito por João Batista às 14h50
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Dia 7 - Lima (cont.)


O Pisco é um produto natural que tem sua origem no suco de uva fermentado e destilado das uvas crescidas na rica região vinícola do Vale de Ica - em torno dos rios Pisco e Ica - situado a trezentos quilômetros ao sul de Lima. As condições favoráveis do solo e do clima semi - árido fazem do Vale de Ica o lugar perfeito para o crescimento de uma variedade original de uvas.

 

Faça seu próprio Pisco Sour

2 MEDIDAS DE PISCO

1 MEDIDA DE SUCO DE LIMÃO, PASSADO NA PENEIRA

1 CLARA DE OVO

12 PEDRAS DE GELO TRITURADO

1 MEDIDA DE AÇÚCAR

Diluir  o  açúcar  no  pisco.  Colocar  no  liquidificador  todos  os ingredientes e bater  em velocidade alta por uns 3 minutos antes de servir.  Servir em taças de vinho tinto e pôr uma pitada de canela em pó.


AJÍ

 

O ají tem a fama de ser uma das espécies mais picantes dentro da gastronomia atual. No  Peru tem sido criadas algumas das receitas mais inovadoras e deliciosas usando estes pequenos tesouros.  Seu aspecto, geralmente  é de cor laranja, amarelo, vermelho ou violeta. O ají amarelo do Peru é de cor verde e se torna laranja quando madura. Um dos atributos do ají é seu sabor picante, que aguça o paladar, diferentemente do ácido, doce, amargo ou salgado.

Os ajís são uma fonte importante de nutrientes. Contém mais vitamina A do que qualquer outra planta comestível, além de ser excelente provedora de vitaminas B e C, ferro, tiamina, niacina, potássio, magnésio e riboflavina. Está livre de colesterol e gorduras saturadas. È recomendável também para as dietas pobres em sódio e altas em fibras, além de incrementar o metabolismo.




Escrito por João Batista às 14h49
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Dia 7 - Lima (cont.2)


Lomo Saltado

  • 2 colheres de óleo vegetal
  • 1/2 xícara de cebolas cortadas
  • 2 dentes de alho amassados
  • 1/2 xícara de pimentões cortados
  • 1 1/2 xícaras de batatas cortadas
  • 1 colher de sopa de pimenta Jalapeña, cortada
  • 1/2 kilo de filé, cortado em tiras finas
  • 1 tomate picado
  • 1 colher de chá de orégano
  • Sal e pimenta a gosto

Aqueça o óleo em uma frigideira não aderente e junte a cebola, alho e pimentões. Adicione as batatas, mexendo de vez em quando até que elas comecem a dourar. Junte a pimenta e o filé e deixe por mais alguns minutos. Por fim, junte o tomate, orégano, sal e pimenta. Sirva com uma porção de arroz branco.


Depois de explorar o Centro de Lima, decidi ir até o bairro de Barranco. Informei-me sobre os tipos de transportes e me indicaram um táxi colectivo que ia pela via expressa e cobrava apenas 2,5 soles por pessoa. Como o nome diz, ele pode ser tomado por até 4 pessoas. Rapidamente desembarquei junto a Municipalidad de Barranco, um edifício vinho, como, aliás, parece ser a cor predominante por aqui.

 

 

Andei até a Ponte dos Suspiros e desci até o Mirador de Barranco para apreciar a vista do mar e das redondezas. De lá se pode ver Miraflores à direita e o bairro de Chorrillos à esquerda. Voltei à praça principal e tomei um sorvete de tiramisu e lúcuma delicioso. Voltei de ônibus para o Hotel e fui ao supermercado tirar dinheiro no caixa automático. Aproveitei para comprar o preparado de ocopa e huancaina e um refresco de chincha morada para levar para o Brasil. Comi no Bembos e voltei para o hostal. 



Escrito por João Batista às 14h48
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Dia 8 - Cusco

Tomei um táxi para o Aeroporto às 6h50 e desta vez passamos por San Isidro e outro bairros. Pareceu-me mais demorado. Fiz o check in, tomei um café, paguei a taxa de saída (17 soles) e fui para o portão de embarque. O vôo foi tranqüilo, em menos de uma hora chegávamos a Cusco. No saguão do aeroporto fomos saudados pela indefectível bandinha de peruanos tocando música andina. Felizmente minha mala foi a primeira a sair e pude privar meus ouvidos de tamanha tortura.

 

Como havia reservado o hostal pela Internet, havia alguém me esperando na saída para me levar ao mesmo. Ainda tive que aturar as ofertas de pacotes turísticos que o hostal oferecia, tudo a preços exorbitantes, antes de ir para o quarto. Saí para conhecer a cidade, que me pareceu mais bonita que o padrão peruano. Sua Plaza de Armas com a imponente Catedral é a parte mais bela da cidade.

 

 

Almocei em um restaurante próximo ao hostal cujo menu turístico oferecia papas a huancaina (menos saborosa que ocopa), um lomo saltado delicioso e sorvete de sobremesa. Provei a chincha morada, um suco feito de milho misturado com amora, mas não aprovei.

 

Passeei pela cidade e procurei pelo Boleto turístico que dá direito a entrar em 16 atrações na cidade e nas redondezas, e que agora custa a “bagatela” de 70 soles. Acabei visitando o Museu Regional e o Museu de Arte Contemporânea, que não se configuram propriamente em atrações. Voltei para o hostal antes de sair de novo para o jantar. Andei muito até parar na Calle Procuradores, quando uma horda de adolescentes me circundou com menus diferentes em mãos tentando me atrair para o seu restaurante. Acabei escolhendo o Procuradores, que me ofereceria um Pisco sour de cortesia. Pedi uma pizza havaiana e para minha surpresa, além do drink veio uma entrada de tostadas com o mais delicioso guacamole que já comi. Tudo grátis : só paguei pela pizza, que estava deliciosa.



Escrito por João Batista às 14h43
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Dia 9 - Cusco - Chinchero _ Ollantaytambo - Aguas Calientes

Acordei um pouco tarde e fui direto para o farto café da manhã, que aqui vem com salada de frutas de cortesia (como este povo é cortês!). Deixei a mala no guarda volumes do hostal e desci a Avenida El Sol para tirar mais dinheiro do caixa automático. Isto feito, procurei o local de onde saíam os ônibus para Chinchero. Uma hora depois estava descendo na rodovia, próximo as ruínas do local, que são interessantes e, como sempre, situadas no alto da cidade. Haja pernas!!

 

 

Voltei para a estrada e aguardei uns 10 minutos até passar um ônibus para Urubamba (1,5 soles). A viagem até lá é muito bonita, feita em descida até o vale do Rio Urubamba, onde fica a cidade de mesmo nome, com montanhas altas e alguns picos nevados como pano de fundo. Imediatamente tomei uma van para Ollantaytambo, a meia hora de lá, pois queria comprar logo a passagem de trem.

 

 

Andei um bocado até a estação para verificar que o trem local havia duplicado de preço recentemente e que não valia a pena aguardar até às 20h. Decidi comprar uma ida e volta em trem panorâmico Vistadome (69 dólares) até Águas Calientes.

 

 

O trem partiu às 14h 26m e chegamos lá uma hora e meia depois. A viagem também é muito bonita, margeando o caudaloso Rio Urubamba até chegarmos ao povoado de Águas Calientes, um lugar bem pitoresco. Andei um pouco pela linha do trem até encontrar um hostal simpático, quarto com banheiro privado, recém decorado e água quente à vontade por apenas 10 dólares.

 

 

Saí para passear pelo local que parece ter apenas lojas, restaurantes e hostais, além de inúmeras bancas de camelôs vendendo todo o tipo de arte andina. Acabei conhecendo dois brasileiros, Marcelo e Afonso, que estavam fazendo praticamente a mesma rota minha.



Escrito por João Batista às 14h43
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Dia 10 - Machu Picchu

Acordei cedo e saí  para o café da manhã americano. O mais barato que encontrei custava 10 soles e ainda queriam me cobrar 1 sol de serviço, o que me recusei a pagar.

 

Peguei o ônibus das 08h30m para Machu Picchu e fomos serpenteando o morro até finalmente chegar ao topo, cerca de 700 metros acima do nível de Águas Calientes.

 

 

A visão do local ultrapassa qualquer expectativa e mesmo as fotos não conseguem fazer justiça à magnitude do local. Acho que um guia complementaria o passeio, mas independente disto, o lugar é fantástico.

 

 

  

O tempo auxiliou e pude tirar algumas fotos, completando o passeio em cerca de 3h e meia, antes de começar a garoar. Tomei o ônibus de volta a tempo de pegar o Vistadome de volta a Ollantaytambo. Lá chegando, havia alguns taxistas oferecendo corrida até Cusco por apenas 10 soles por pessoa. Foi uma pechincha, pois demorei apenas 1h20 para fazer um percurso que me tomaria no mínimo 3h se utilizasse os meios de transporte coletivos e gastaria a mesma coisa. Fiquei um pouco apreensivo quando o motorista saiu da estrada principal e tomou um caminho alternativo, mas era apenas um atalho.

 

Chegando em Cusco, fui almoçar em um restaurante francês / árabe próximo ao Hotel, cuja trilha sonora constava de discos de reggae, em especial Alpha Blondy. Comi uma salada gigantesca de entrada  e boeuf bourgignon como prato principal, além de salada de frutas de sobremesa, tudo por apenas 12 soles. Foi um almoço e tanto.

 

Voltei para o hotel e descansei um pouco antes de sair para passear e finalizar a noite com uma pizza no Pachamama (8 soles).



Escrito por João Batista às 14h42
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Dia 11 - Cusco

Dormi mal, acordando no meio da noite com um pouco de falta de ar. Fiquei rolando na cama até às 9h e tomei o café da manhã. O dia estava ensolarado e aproveitei para ir até a Feira em Pisac. Tomei um ônibus na Avenida Tullumayo e tive que ir em pé por quase uma hora até chegarmos ao local.A feira é bem extensa e possui, além das tradicionais barracas de artesanato, vendedores de comida (frita ou mesmo crua), frutas, vegetais e ervas de diversos tipos, um carnaval de cheiros e cores. Os preços são, em geral, mais baratos que na turística Cusco, especialmente após as barganhas.

 

 

Depois de comprar alguns presentes, voltei de ônibus para Cusco e aproveitei para ir até o terminal terrestre pesquisar os preços dos ônibus para Copacabana e La Paz. O ônibus da empresa Litoral tem horário às 22h direto para as duas cidades (respectivamente 50 e 75 soles).

 

Fui almoçar num restaurante na Plaza de Armas e fiquei ouvindo Juanes e Maná, devorando um prato de massa delicioso. Voltei para o hotel para descansar um pouco e depois aproveitei para tirar a foto da famosa pedra dos 12 ângulos, que fica no muro Inca da Travessa  Hatunrumiyoc. Para o jantar escolhi outro restaurante da Plaza e fiquei observando o movimento enquanto tomava meu delicioso Pisco Sour e comia uma pizza. Passeando pela praça fui abordado por algumas crianças locais pedindo esmola. A tática deles era perguntar de onde você era e depois desfilavam a cantilena, contando detalhes do país, tais como: presidente atual, nome da capital, cores da bandeira nacional e principais jogadores de futebol. Devo confessar que jamais vi crianças tão persistentes.

 


Existem várias dezenas línguas na região andina, senda a mais predominante o Quéchua, falado no Equador, Peru, Bolívia, norte da Argentina e Chile. Hoje em dia há 13 milhões de falantes desta língua em toda a área andina. O Aymara também é uma das línguas predominantes na área do altiplano andino (Peru e Bolívia).

O Quéchua é a  língua oficial no Equador, Peru e Bolívia junto com o espanhol. Porém, devido à influência mostrada pelos governos destes países, a língua quéchua é oficial apenas no papel. Não tem sido implementados, nem se vê no horizonte próximo, mecanismos que dêem ao quéchua o status oficial que por lei merece. A discriminação contra as pessoas que falam quéchua e outras línguas se mantém como nos tempos coloniais. Os serviços de educação saúde e justiça seguem mostrando sua indiferença institucionalizada aos falantes do quéchua.




Escrito por João Batista às 14h42
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